Sobre o autor


Ignácio de Loyola Brandão nasceu em Araraquara, interior do estado de São Paulo, Brasil, em 31 de julho de 1936. Iniciou sua carreira jornalística como crítico de cinema aos 16 anos, no semanário Folha Ferroviária, passando em seguida para o diário O Imparcial, onde ficou por cinco anos e aprendeu tudo. A fazer entrevistas, reportagens, fotografias, impressões.

Aos 21 anos, embarcou para São Paulo e entrou para o jornal Última Hora, um dos mais modernos da época, que provocou uma revolução gráfica na imprensa. Mergulhou na cidade, na vida, no jornalismo e fez de São Paulo sua personagem constante.

Em 1963, morou na Itália, onde foi correspondente do Última Hora e fez reportagens free-lance para a TV Excelsior, Canal 9 de São Paulo, tendo coberto inclusive a morte do papa João XXIII. Em 1965, lançou seu primeiro livro Dentes ao Sol (contos). Vieram depois 42 livros, entre romances, contos, crônicas, viagens, infantis e uma peça teatral. Entre os mais conhecidos estão Bebel que a Cidade Comeu, Dentes ao Sol, O Beijo Não Vem da Boca e Cadeiras Proibidas. Dele são dois clássicos: Zero, de 1975, tendo sido publicado primeiro na Itália, por causa da censura e da ditadura militar. Publicado no Brasil em 1975, foi proibido pela ditadura militar, sendo liberado somente três anos mais tarde. Está traduzido hoje em 11 línguas. O outro clássico do autor é Não Verás País Nenhum, de 1981, que mostra um Brasil sem árvores e sem água, carros imobilizados congestionando as ruas, o caos e a violência dominando tudo. Apocalíptico? Não, uma realidade prestes a acontecer. A cidade de São Paulo está quase seca, sem água para beber.

Seu livro O Verde Violentou o Muro, jornalístico, traz suas impressões e sensações após ter vivido dois anos na cidade dividida. Foi o único autor no Brasil a contar o dia a dia em uma Berlim cercada pelo Muro, isolada pela Alemanha Comunista. Loyola foi o único a prever a queda do Muro, ocorrida cinco anos depois que o livro foi publicado. A vida cotidiana era quase surreal.

Veia Bailarina é um de seus livros prediletos. O livro em que redescobriu a vida. Curiosamente, ele é indicado por médicos do país inteiro para pacientes que vão sofrer cirurgias profundas e complicadas. No Brasil, cerca de 200 mil exemplares já foram vendidos. Com os contos surreais, porém reais, de O Homem que Odiava a Segunda-feira, de 1999, ganhou o prêmio Jabuti em 2000. Em 2008, ganhou o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro com o infantil O Menino Que Vendia Palavras como o Melhor Livro de Ficção do Ano. Já foram vendidos mais de 150 mil exemplares dessa obra e ela foi transformada em uma peça teatral com Du Moscovis no papel principal. Neste momento, o livro está sendo adaptado para uma minissérie para televisão.

Acaba de publicar pela editora Moderna Os Olhos Cegos dos Cavalos Loucos, de 2014, livro que ficou na sua cabeça por 60 anos. É um pedido de desculpas ao avô dele, um marceneiro que construiu há cem anos um carrossel. É membro da Academia Paulista de Letras, cronista dos jornais O Estado de São Paulo, Tribuna Impressa, de Araraquara, e Die Zeit, de Munique, Alemanha. Faz palestras – que ele chama de “conversas cordiais” – sobre literatura pelo Brasil. Foi um dos mediadores permanentes da Jornada Literária de Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Após dez anos, está voltando ao romance com o Desta Cidade Nada Vai Ficar a Não Ser o Vento que Sopra sobre ela. Além de escrever, o autor gosta de um bom vinho, uma boa Margarita, um bom prato, uma viagem, uma praia deserta, um pastel de carne. Em seu livro O Mel de Ocara, de 2012, relata as palestras que fez em todos os estados brasileiros, revelando um Brasil que a maioria desconhece pela sua extensão e diversidade. Ignácio considera esse livro um dos mais importantes que fez, revelando como trabalha o moderno escritor brasileiro. Odeia pessoas chatas, papos intelectuais, racionalismos, detesta quem fala alto em celular, odeia frestas de janelas deixando entrar vento frio em ônibus ou trem. Vive atualmente preocupado com o clima de divisão do Brasil, com a agressividade e violência das pessoas, com a ausência de discussões democráticas. Há pouco, quando um jornal insistiu muito, criou o epitáfio que quer sobre seu túmulo: “Saibam que estou aqui contra a minha vontade”.

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