Meu avô, o poema e os Rolling Stones


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O poema abaixo foi encontrado por meu irmão João Bosco em Araraquara há alguns anos. Foi escrito pelo meu avô paterno, José Maria, pai de meu pai. Precioso para mim, porque mostra que este meu vínculo com a escrita começou lá atrás. Este avô é o personagem do livro Os Olhos cegos dos Cavalos Loucos. O artista que com ferramentas rústicas construiu um carrossel de madeira. Pode-se ver que o poema foi escrito na fazenda Boa Vista, no dia 27 de fevereiro de 1897, quando meu avô teria 21 anos. Notar a caligrafia caprichada de um homem crescido no campo. Nunca soube se meu avô nasceu ali. A fazenda existe até hoje, é uma empresa agrícola. Nos anos 60 pertencia a Walter Moreira Salles – pai de Walter, o cineasta, e João, o documentarista – banqueiro e diplomata que em janeiro de 1966 levou para lá Mick Jagger e Keith Richards, os Rolling Stones. Ficaram vinte dias isolados, ainda que tenham sido vistos em Araraquara na Rua Três, perto do Cine Odeon. Mesma calçada percorrida por Jean Paul Sartre quando lá esteve para fazer sua conferência sobre existencialismo e marxismo em 1960. Os Rolling não foram reconhecidos, o povo só achou estranho aqueles garotos cabeludos, mal vestidos que levavam latinhas de cerveja na mão. Poucos conheciam cerveja de lata no interior, só viam em filmes. A bela Marianne Faithfull, namorada de Mick, foi também e se esbaldou de tanto comer manga.

 

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