Figurante Prêmio Palma de Ouro em Cannes


Fui a Salvador em 1961 em férias e para acompanhar as filmagens de O Pagador de Promessas. Anselmo Duarte, ator e diretor, era meu amigo e me convidou,  me deu hospedagem, o jornal me deu a passagem. Depois de vinte dias, Anselmo ia filmar a cena mais importante, o momento em que Zé do Burro é morto. “Você hoje vai ser figurante”, me disse. Achei divertido. Ele me colocou na escadaria entre outros figurantes e recomendou: “olhe para Leo Vilar, não olhe para a câmera, não se preocupe, você vai aparecer, te coloquei em ótimo plano”.

Quando vi o filme, percebi que realmente eu estava sendo “bem-visto”. Estou de camisa branca ao lado de Dionisio de Azevedo, o padre. Eu tinha 24 para 25 anos. Achei aquela vida de ator e diretor o máximo. Nada de  horários, normas, expedientes, era tudo confusão e organização, criação e emoção, improvisação. Essa é a vida que quero levar, pensei. Vida solta fazendo o que gosto. O Pagador de Promessas ganhou a Palma de Ouro em Cannes, um dos maiores prêmios do cinema. Nunca mais outro filme brasileiro ganhou. Nem os intelectuais pomposos e os teóricos arrogantes do cinema novo. Por que nunca fiz cinema?

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