Crônica: Desta vez Lôlo deixaria entrar


Calor. Nenhuma novidade. Cada vez mais tenho vontade de me mudar para a Islândia. Se está tal temperatura em São Paulo, imagino o que vou sofrer em Araraquara amanhã e depois. Bom seria o prefeito que construísse aqui uma cúpula geodésica (quem não souber, consulte os arquitetos locais e eles falarão sobre Buckminster Fuller), dotando-a de ar-condicionado. Temer diria: dotá-la-ei.

Convido primeiro para a inauguração da Biblioteca Ignácio de Loyola Brandão, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, rua Doutor Aldo Benedito Pierri, 250, Jardim dos Manacás. Para quem, como eu, não sabe onde é o Jardim dos Manacás ( saí há décadas da cidade), traduzo: final da Avenida 36 (sentido Centro para a Lupo, perto da Liliana Aufiero, acho que ela vai), próximo à concessionária Citroen e à subestação da CPFL. Precisa ainda de GPS?

Gostei, me emocionei, mas é estranho entrar em um lugar que tem o nome da gente. O bom é que se trata também da abertura da IV Semana do Livro e da Biblioteca e os dois têm a ver comigo. São minha vida. A programação da Semana deve sair na mídia e nas redes, tem de tudo, até a Rita Gullo cantando, ainda que não ao vivo. Fiquei pensando o que dizer. Decidi ler o discurso que fiz na Academia Brasileira de Letras quando recebi o Prêmio Machado de Assis, no dia 20 de julho. Só foi publicado na Revista Brasileira, da ABL. Deixarei o original no arquivo da biblioteca. Juro que não é chato, nada tem de academicismo rançoso.

No dia 25, terça-feira, (anotem) estarei na Secretaria de Cultura, hoje Palácio das Rosas, antigo Clube Araraquarense, para o lançamento do livro de crônicas Se For Para Chorar Que Seja de Alegria, que marcou os meus 80 anos. Não me perguntem como é ter 80, acabei de entrar neles. Não mudou nada, ao contrário, nunca tive tanto trabalho, palestras, shows, viagens, projetos. Aliás, idade nunca me preocupou, não tive tempo de pensar nela, só fiz o que me deu na telha e sou feliz de vez em quando, ninguém é feliz o tempo inteiro.

Vai ser engraçado chegar ao Palácio, subir a escada e entrar, sem ser impedido pelo Lôlo que, com cara séria, mas certa compaixão no rosto, me segurava: “Espere, você não é sócio.” Eu dava uma carteirada, puxava a credencial de O Imparcial: “Sou imprensa”. Ele arrematava: “Só pode entrar em algumas festas, nada mais”. Juro que terça-feira Lôlo me daria um abraço, me deixaria entrar. Muitos faltarão pela primeira vez, Leila Olivi, Zeca Ferrari, Renato Correia Rocha, Alberto Lemos, meu irmão Luiz Gonzaga. Virão outros. E espero que tenha Mimosa!

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